Cerclagem de Emergência

Um link para a vida

A insuficiência cervical é uma condição responsável por uma parcela das perdas gestacionais no segundo trimestre (entre 14 e 28 semanas). De maneira geral, caracteriza-se por dilatação do colo uterino na ausência de contrações, ou seja, não manda aviso! Assim, algumas mulheres podem sentir um leve desconforto, ou um pequeno sangramento pela vagina, ou a perda de muco pela vagina. Ao procurarem o médico, são surpreendidas pela informação que seu colo do útero está dilatado, e a bolsa está protrusa, ou seja visualizada e exposta na vagina, apesar de não terem contrações.

Esta situação, apesar de incomum, acaba evoluindo para o parto ou aborto espontaneamente, uma vez que a dilatação do colo uterino faz com que a bolsa amniótica fique exposta na vagina, e sujeita a ruptura com perda de líquido amniótico ou a infecção intra-uterina, quadro que pode levar a febre e contrações. Hoje, esta situação considerada inevitável, pode ser evitada em alguns casos bem selecionados. Após um período de observação clínica de 48-72 horas, para certificarmos que não há infecção amniótica já instalada ou que o quadro está em evolução, é possível realizar um procedimento chamado de CERCLAGEM DE EMERGÊNCIA.

Este procedimento consiste em realizar a cerclagem (cirurgia que amarra um ou dois fios ao redor do colo do útero), após o esvaziamento da bolsa amniótica através da amniocentese (que é uma punção da cavidade amniótica com agulha, dirigida por ultra-sonografia), que faz com que a bolsa protrusa retorne para dentro do útero. Dessa maneira, é possível realizar a sutura da cerclagem. Nos casos mais severos, apesar da amniocentese, pode ser necessária a colocação de um balão no canal do colo do útero para dar maior segurança ao procedimento. Apesar de todos os cuidados, a cerclagem de emergência é um procedimento de risco, e pode complicar com a ruptura da bolsa e o parto pré-termo, que ocorre na maioria das gestantes que necessitam desse procedimento.

A CERCLAGEM DE EMERGÊNCIA é um procedimento complexo, que deve ser realizado por equipe experiente (ultra-sonografista e obstetra especializados em medicina materno-fetal), e sob condições ideais, ou seja, nem todas as mulheres nessa situação podem ser submetidas a ele.

Nos casos selecionados, a CERCLAGEM DE EMERGÊNCIA prolonga a gestação em média por 7-8 semanas, o que significa que um procedimento realizado por volta de 20 semanas de gestação, pode levar a gravidez até a 28a semana. E qual o benefício disso? Com 20 semanas não há possibilidade de sobrevida de bebês que nascem nessa fase, no entanto um bebê que nasce na 28a. semana tem cerca de 70-80% de chance de sobreviver, ou seja, de ser levado por seus pais para casa após a internação em UTI neonatal. Portanto, nos procedimentos bem sucedidos, é oferecida a possibilidade de uma nova vida.

O INSTITUTO DE MEDICINA MATERNO-FETAL possui uma equipe especializada e com experiência nesse procedimento, e hoje podemos oferecer para qualquer paciente que tenha indicação.

Abaixo estão as fotos da ultra-sonografia de uma cerclagem de emergência realizada pela equipe do IMMF, antes e depois do procedimento. Na primeira imagem, observamos a bolsa se exteriorizando através do colo do útero. Na segunda imagem, com os pontos já colocados, observamos que a bolsa voltou para dentro do útero e o colo está fechado.

Neste caso em particular, o procedimento foi feito com 21 semanas e o parto ocorreu na 29a. semana, e este bebê está em casa com seus pais.